Agora que já sabemos o que é o diabetes (O que é diabetes?), vamos explorar as diferenças entre os dois tipos principais: diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2.
Diabetes Tipo 1
O diabetes tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune, na qual anticorpos produzidos pelo próprio corpo destroem progressivamente as células beta do pâncreas, que com o tempo passam a produzir pouca ou nenhuma insulina. Com isso, o portador de DM1 passa a depender da aplicação de injeções de insulina, associadas ao monitoramento regular da glicemia.
As causas da doença não são plenamente compreendidas, mas acredita-se que fatores ambientais, como infecções virais, associados à predisposição genética, podem desencadear o processo autoimune, que é irreversível e progressivo.
Em indivíduos com gêmeo ou múltiplos familiares acometidos com DM1, o risco de desenvolver a doença pode variar de 20 a 70%.
Este tipo de diabetes manifesta-se em geral na infância e adolescência. Segundo a International Diabetes Federation (IDF), atualmente o diabetes tipo 1 representa entre 5 e 10% do total de casos de diabetes no mundo. Estima-se que no Brasil sejam cerca de 588 mil casos.
Os sintomas típicos são:
- Sede excessiva
- Fome excessiva
- Excesso de urina
- Perda de peso
- Fraqueza
- Visão turva
Apesar de típicos, esses sintomas podem não estar presentes mesmo que a criança ou adolescente já apresente hiperglicemia e redução na produção de insulina, o que retarda o diagnóstico da doença e o início do tratamento.
Diabetes tipo 2
O diabetes tipo 2 (DM2) manifesta-se em geral tardiamente, já no adulto ou idoso, e representa de 90 a 95% de todos os casos, de acordo com a IDF. Em 2021, a prevalência de DM2 na população adulta mundial era de 10,5%, e no Brasil eram cerca de 15,7 milhões de casos. Devido a esta elevada incidência, o diabetes é considerado um grave problema de saúde pública mundial.
Diferentemente do tipo 1, o início da doença não está geralmente associado à deficiência na produção de insulina, mas a falhas no funcionamento da mesma. As células do corpo passam a não responder adequadamente aos estímulos da insulina, em uma condição chamada de resistência à insulina.
Nesta condição, mesmo que o pâncreas seja capaz de produzir insulina, a glicose no sangue não consegue entrar nas células, levando ao quadro de hiperglicemia crônica. Caso os níveis de glicose sanguínea não sejam adequadamente controlados, com o passar dos anos pode ocorrer falência das células beta do pâncreas, que param de produzir insulina e o portador de DM2, assim como no DM1, também deve fazer uso de insulina.
Tanto o diabetes tipo 1 quanto o tipo 2 envolvem fatores genéticos. Contudo, enquanto o DM 1 é uma doença autoimune, o DM2 é uma doença fortemente associada ao estilo de vida, e portanto pode ser prevenida.
Como principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabete tipo 2, podemos citar:
- Idade avançada
- História familiar de diabetes
- Sobrepeso ou obesidade
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
- Hábitos alimentares com excesso de açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados
- Tabagismo
- Sedentarismo
Os sintomas do DM 2 são semelhantes aos do tipo 1, mas em geral não tão pronunciados, podendo até mesmo não haver qualquer manifestação sintomática. Com isto, a hiperglicemia crônica pode permanecer sem diagnóstico por muito tempo, propiciando o surgimento de complicações, como doenças cardiovasculares, comprometimento da visão e dificuldade de cicatrização em ferimentos nos membros inferiores.
importância do diagnóstico diferenciado
Apesar de todos os tipos de diabetes serem caracterizados por hiperglicemia crônica, os mecanismos que levam a este distúrbio metabólico são diferentes. Como resultado, as estratégicas terapêuticas variam conforme o tipo e o caso.
No diabetes tipo 1, há necessidade de aplicação de insulina, uma vez que há deficiência do pâncreas na produção deste hormônio. Em geral são necessárias diversas aplicações ao dia, podendo ser utilizados até 2 tipos diferentes de insulina, visando mimetizar as flutuações naturais da mesma ao longo do dia. Além disso, é necessária a monitorização regular da glicemia.
Na fase inicial do diabetes tipo 2, não é usual a aplicação de insulina, sendo em geral utilizados outros tipos de medicamentos, como os hipoglicemiantes. Contudo, dependendo da progressão da doença, pode fazer-se necessária a aplicação de insulina, a exemplo do DM1.
Qualquer que seja o tipo, o diabetes é uma doença complexa que exige cuidados multidisciplinares e contínuos. Além do médico, é fundamental o acompanhamento regular e periódico com nutricionista. O educador físico é outro profissional importante no tratamento, especialmente quando houver necessidade de perda de peso, como nos casos de diabetes tipo 2 associados a sobrepeso ou obesidade.
Referências
SIQUEIRA, R. de A. (Org.). Diabetes Melito. 1a edição. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2019.
MOTA, J. F.; STRUFALDI, M. B.; ALVAREZ, M. M. (Org.). Nutrição e diabetes mellitus na prática clínica. 1a edição. São Paulo: Manole Editora, 2023.
IDF DIABETES ATLAS – 10TH EDITION. International Diabetes Federation, 2021. Disponível em: https://diabetesatlas.org/idfawp/resource-files/2021/07/IDF_Atlas_10th_Edition_2021.pdf.


Deixe um comentário