Estou certa de que você já ouviu, ou mesmo recebeu, a recomendação para reduzir o consumo de sal.
Mas porque este controle é importante?
Neste artigo, vamos entender um pouco melhor o que é o sal, quais seus benefícios para a saúde e porque o excesso deve ser evitado.
O que é o sal de cozinha?
Sal de cozinha ou sal de mesa é uma substância composta de sódio e cloro, e por isso é chamada de cloreto de sódio. Cerca de metade do peso é sódio e a outra metade é cloro. Ou seja, aqueles sachês de sal que encontramos nas mesas dos restaurantes tem entre 0,4 e 0,5 g de sódio.
As recomendações para controle da ingestão de sal estão associadas mais especificamente ao sódio, e não ao cloro.
A importância do sódio
O sódio é um elemento essencial para o funcionamento adequado de diversas funções fisiológicas como a captação de nutrientes pelas células, a transmissão de impulsos nervosos e as funções musculares.
Por isso eliminar ou restringir severamente a ingestão de sal (sódio) da dieta também pode trazer malefícios.
A deficiência de sódio (hiponatremia) por baixa ingestão é rara, mas pode ocorrer em casos de diarreias, vômitos, suor excessivo, uso de medicamentos antidiuréticos, bem como em indivíduos que necessitam restringir severamente a ingestão de sódio, como pacientes com doenças renais, insuficiência cardíaca congestiva e hipertensão.
O excesso do consumo de sódio
É de conhecimento geral que o consumo excessivo de sódio está associado ao aumento do risco de desenvolver hipertensão arterial.
Mas o excesso de sódio pode também comprometer outros sistemas e órgãos, além desenvolvimento da hipertensão.
Alguns estudos tem mostrado uma associação entre elevado consumo de sódio e enrijecimento das artérias, incluindo a vascularização cerebral e o aumento do risco de AVC. Também pode haver associações com alterações na espessura das paredes do ventrículo esquerdo, osteoporose e danos na função renal.
Desafios no controle do consumo de sódio
Apesar do conhecimento estabelecido com respeito a importância do consumo moderado de sal, o excesso da ingestão de sódio ainda é um grave problema de saúde púbica.
Atualmente a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão máxima diária de 5 g de sal, correspondendo a menos de 2 g de sódio. Contudo, a própria organização estima que na América Latina, o consumo de sal varia entre 8,5 a 15 g por pessoa. No Brasil, o consumo médio de sal é de 9,3 g/dia, sendo que apenas 2,4% da população consome quantidades inferiores à recomendada. É interessante notar também que a maior parte dos brasileiros (cerca de 85%) não percebe seu consumo de sal como sendo excessivo.
Mas por que é tão difícil controlar a ingestão de sal?
Com exceção dos peixes e frutos do mar, o conteúdo de sódio nos alimentos in natura é baixo. Assim, a principal fonte de sódio da dieta é decorrente a adição de sal, o uso de temperos prontos à base de sal e do consumo de alimentos processados e ultraprocessados.
Como resultado das campanhas de conscientização acerca dos efeitos negativos do excesso de sódio na alimentação, há uma tendência de redução do consumo de sal de cozinha pelos brasileiros. Contudo, a quantidade de sódio presente nos alimentos processados e ultraprocessados não é regulada, e sua redução depende de ações voluntárias da indústria. Infelizmente, o conteúdo de sódio nos alimentos industrializados ainda é elevado.
Estratégias para redução do consumo de sódio
A primeira medida que podemos pensar é a redução na adição de sal no preparo dos alimentos.
Mas essa medida pode não ser suficiente dependendo da quantidade e tipo de alimentos industrializados consumidos habitualmente.
Os alimentos industrializados costumam ter elevados níveis de sódio, que pode estar sendo utilizado para conservação do alimento ou para aumentar a palatabilidade e realçar o sabor. Mesmo alimentos doces e bebidas adocicadas podem conter sódio.
As carnes processadas, como presunto, mortadela, peito de peru e salame, são alimentos que apresentam elevado teor de sódio. Duas a três fatias de presunto ou mortadela, por exemplo, podem conter de 300 a 500 mg de sódio, o que representa entre 15 e 25% da recomendação máxima diária.
Os queijos amarelos, como prato, muçarela, parmesão, dentre outros, também costumam ter elevado teor de sódio. Uma fatia de muçarela, por exemplo, pode conter de 120 a 190 g de sódio.
Assim, um sanduiche com duas fatias de pão de forma, uma fatia de presunto e uma de muçarela pode conter cerca de 500 mg de sódio!
Os temperos prontos, como os tabletes de caldos de carne ou de legumes, também costumam ter grandes quantidades de sódio. Um tablete de caldo de carne, por exemplo pode conter cerca de 1,5 g de sódio.
Ou seja, sem reduzir o consumo de certos alimentos processados e ultraprocessados, a redução do sal no preparo dos alimentos pode não ser suficiente. É importante criar o hábito de ler os rótulos dos produtos, comparando e escolhendo aqueles com menores quantidade de sódio.
Referências
- ROBINSON, A. T.; EDWARDS, D. G.; FARQUHAR, W. B. The Influence of Dietary Salt Beyond Blood Pressure. Current hypertension reports, [S. l.], v. 21, n. 6, p. 42, 25 abr. 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7309298/.
- ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. Metas regionales actualizadas de la OPS para la reducción del sodio. Washington, DC: Organización Panamericana de la Salud, 2021. Disponível em: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/54971/OPSNMHRF210016_spa.pdf?sequence=4&isAllowed=y.
- SAÚDE, M. da. Policy brief: Redução do sódio em alimentos processados e ultraprocessados no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023.


Deixe um comentário